Ice-T cometeu o máximo no cada vez mais explícito flerte entre rap e metal. Ele é espelho, sabe que seu rap não basta para garantir a atenção da mídia branca e o jeito é apelar para o rock. Mas é um oportunista com categoria. Com o Body Count, ele detona um hardcore furioso, uma metralhadora alucinada que atira em todas as direções. Não deu outra! Assim como as balas foram, tiveram resposta em forma de represálias generalizadas contra a banda. Aquela história da polícia do Texas reclamando de "Cop Killer" e forçando a gravadora a retirar a faixa do disco. Então você já sabe: nada de "morra, morra, morra porco... foda-se a polícia", na edição brasileira.
Também nem precisava disso para os caras ganharem o troféu Culhões do Ano. As outras letras são do mesmo calibre e destilam porções equivalentes de veneno. Em "KKK Bitch ", Ice-T bombardeia: "Ela ficou alucinada no banheiro do camarim/ chupou meu pau como uma porra de um aspirador/ Disse: ´Eu te amo, mas meu pai não brinca, ele é o chefão fodido da KKK (Ku Klux Klan). "Evil Dick" (algo como "caralho diabólico") é sexo, sexo e sexo. "Evil Dick gosta de lugares quentes e úmidos/Evil Dick não liga para rostos/ Evil Dick gosta de lugares jovens, apertados e pequenos...", canta o rapper dando uma de Wando.
O legal é que o Body Count não fica só em letras polêmicas. O grupo resgata um dos maiores valores do punk: a fuleiragem. Ninguém toca bem, mas todo mundo toca com raiva. O que já é mais do que bom em se tratando de rock´n´roll. A essência do gênero está na fúria. "Body Count Anthem" eleva essa teoria à potência máxima. Numa Over de guitarras saturadas e ritmos travados, o som arromba os alto-falantes com o grito de guerra dos caras. "Body Count´s In The House"e "Body Count" fecham a tríade com o nome da banda.
A primeira é o elo-perdido entre o trabalho solo de Ice-T e a pancadaria do grupo. A segunda é um punk rock típico com letra de rap - "Eu ouço isso toda noite! mais um tiroteio lá tensão cresce/junto com a contagem de corpos". "Voodoo" lembra Cramps, no tema e na levada groovie. Só que muito mais pesado. Entre um petardo e outro, vinhetas "politicamente incorretas" ou simplesmente absurdas costuram tudo. Ouça no talo que a treta com os vizinhos é garantida.
|FICHA TÉCNICA|
lançamento|21 de Agosto de 1990 produção|Ice-T, Ernie C. estúdio|One-on-One Recorders, Syndicate Studio West (North Hollywood, California) duração| 52:59 selo|Sire/Warner Bros. Records prensagem|Brasil encarte|sim
|FORMAÇÃO|
Ice-T – lead vocals Ernie C. – lead, rhythm and acoustic guitars Mooseman – bass D-Roc – rhythm guitar Beatmaster "V" – drums
|MÚSICAS| A1 - “Smoked Pork" — 0:46 (Ice-T) A2 - "Body Count's in the House" — 3:24 (Ice-T/Ernie C) A3 - "Now Sports" — 0:04 (Ice-T) A4 - "Body Count" — 5:17 (Ice-T/Ernie C) A5 - "A Statistic" — 0:06 (Ice-T) A6 - "Bowels of the Devil" — 3:43 (Ice-T/Ernie C) A7 - "The Real Problem" — 0:11 (Ice-T) A8 - "KKK Bitch" — 2:52 (Ice-T/Ernie C) A9 - "C Note" — 1:35 (Ernie C) A10 - "Voodoo" — 5:00 (Ice-T/Ernie C) A11 - "The Winner Loses" — 6:32 (Ernie C) B1 - "There Goes the Neighborhood" — 5:50 (Ice-T/Ernie C) B2 - "Oprah" — 0:06 (Ice-T) B3 - "Evil Dick" — 3:58 (Ice-T/Ernie C) B4 - "Body Count Anthem" — 2:46 (Ice-T/Ernie C) B5 - "Momma's Gotta Die Tonight" — 6:10 (Ice-T/Ernie C) B6 - "Freedom of Speech"[12] — 4:41 (Ice-T/Biafra)
A 150 km da inevitável Seattle, foi formada aquela que talvez seja a melhor banda da região: Screaming Trees. Com mais de sete anos, depois de quatro álbuns independentes, chega ao segundo por uma major. Sweet Oblivion é resultado da química clássica do rock´n´roll: um vocalista/letrista carismático (Mark lanegan), um guitarrista capaz de criar riffs inesquecíveis (Gary Lee Conner) e uma cozinha segura (Van Lee Conner no baixo e Martin Barrelt, ex-Skin Yard, na bateria).
Claro, há também o elemento inefável, indizível, que torna as músicas especiais. O quarteto compõe, não posa (mesmo porque os irmãos Conner pesam juntos trezentas quilos, o que não impede que sejam ensandecidos no palco).
O álbum tem uma regularidade rara. Nenhuma das onze faixas é fraca. Começa com o peso de "Shadow Of The Season" e termina com o peso maior ainda de "Julie Paradise". No meio, duas magníficas rendições ao pop: o hit "Nearly lost You" e ´Winter Song", além das não baladas: "Dollar Bill" e "No One Knows". Tudo com o sabor contemplativo, intimista e passional das letras de lanegan, seguramente uma das melhores vozes dos últimos tempos, à qual o clichê "encharcada de bourbon" cai como uma luva.
Influências? Semelhanças? Blues rural, rock psicodélico, Jim Morrison, The Allman Brothers Band... Um disco emocionante, para ser ouvido o mais alto possível.
Deus ama os Screaming Trees. Quem garante é o próprio guitarrista do quarteto, Gary Lee Conner, um aglomerado de banha capaz de fazer Jô Soares parecer Victor Fasano. Foi o que ele disse à Rolling Stone. E terminou sentenciando: "Deus ama a banda porque nunca dissemos um palavrão em um disco novo".Se valer a tese esotérica de Conner - até três anos atrás carola praticante - está explicado o atual estado de coisas no front do grupo. Sempre à beira da dissolução durante sete anos de uma carreira no mínimo irregular, da noite para o dia os Screaming Trees viraram sucesso.
Graças à MTV, que agiu como uma espécie de torcida organizada depois que "Nearly Lost You" (também integrante da trilha sonora do filme Vida De Solteiro) virou hit de rádio. Isso, depois da banda ter se esmerado para produzir um disco à altura da "despedida" dos Screaming Trees. "O timing foi inacreditável", argumenta Conner, já de volta aos assuntos da Terra, num quarto de hotel em West Hollywood. "Foi uma coincidência! Primeiro saiu a trilha do filme e nossa faixa virou sucesso, pouco antes do lançamento de Sweet Oblivion" (sexto álbum dos Screaming Trees, vendeu 250 mil cópias).
Eles estão crescendo em popularidade sem parar, graças também à turnê com Alice In Chains (e por causa disso o grupo é sistematicamente agregado à "cena Seattle", embora sejam de uma cidade vizinha (Ellensburg) e estejam em atividade bem antes de Kurt Cobain ter sonhado com "Smells Like Teen Spirit". Mas não estão nem um pouco intimidados com a fama instantânea. "Não éramos famosos", diz Lee, "mas éramos conhecidos no underground, e era só isso que queríamos. Até que a merda bateu no ventilador..."
|FICHA TÉCNICA| lançamento|08 de Setembro de 1992 produção| Don Fleming estúdio|Baby Monster, NYC & Sear Sound, NYC. duração| 46:13 selo|Epic prensagem|Brasil encarte|sim
|MÚSICAS|
A1
Shadow Of The Season
4:34
A2
Nearly Lost You
4:07
A3
Dollar Bill
4:35
A4
More Or Less
3:11
A5
Butterfly
3:22
A6
For Celebrations Past
4:09
B1
The Secret Kind
3:08
B2
Winter Song
3:43
B3
Troubled Times
5:20
B4
No One Knows
5:13
B5
Julie Paradise
5:05
|FORMAÇÃO| Vocals - Mark Lanegan Bass - Van Conner Drums - Barrett Martin Guitar - Gary Lee Conner
Parece mentira, mas houve uma época onde as grandes gravadoras lançavam trilhas sonoras com coerência artística, aliando músicos de renome com uma proposta sonora condizente com o filme. Longe da prática atual de reunir um ou outro artista consagrado e mais uma penca de ilustres desconhecidos, alguma trilhas sonoras conseguiram agrupar músicas relevantes que muitas vezes deram o ar de sua graça exclusivamente para aquele intento.
Singles saiu na hora certa, em meio à explosão musical do início dos anos 90. Veículos musicais a mil, as bandas alternativas tomavam as paradas e as atenções do público, movimentando dólares nunca antes cogitados pelas gravadoras. O ex-funcionário da revista Rolling Stone, então diretor de filmes, Cameron Crowe sentiu a oportunidade e filmou uma comédia romântica tendo como pano de fundo a efervescente cena de Seattle.
Com uma história bobinha e que pouco se relacionava com o que estava acontecendo no momento (ao contrário do filme “Hype”, que depois viria a traçar um documento a respeito do que ocorrera naqueles anos), Crowe foi esperto ao ponto de convencer alguns artistas de expressão a fazer pontinhas não-compremetedoras no filme, dando a impressão ao espectador que as coisas estavam acontecendo com simultaneidade, ajudando a saciar a ânsia por material que dali vinham. Além disso, teve a iniciativa de filmar a cidade, localizando as ocorrências do filme em parques, bares, pubs, cafés, condomínios, portos, saciando a curiosidade do espectador em torno de como era aquela meca do rock.
Por essa grande sacada, o filme acabou mostrando os artistas em que todos estavam interessados naquele momento, fazendo aparições inusitadas no decorrer da película. Chris Cornell, Pearl Jam, Alice In Chains aparecem como personagens secundários ou fazendo trechos de performances. Lembro que fui assitir ao filme no cinema Baltimore em uma chuvosa tarde de férias, munido de minha camisa de flanela oficial.
Tamanha conexão entre artistas, diretor e proposta do filme resultaram em uma trilha muito superior ao resultado que o filme obteve. O CD reúne artistas selecionados, mesmo sem contar com o grande nome do momento (Nirvana), tocando faixas inéditas e exclusivas, dando à trilha um embasamento ímpar. Ao invés de reedições de canções antes lançadas, de músicas deslocadas do tema ou de qualquer porcaria de uma banda sem expressão, oferece-se um retrato de uma época, obtido com o aval dos que ali participaram.
O Alice In Chains abre os trabalhos com a então inédita Would, que roubou horas e horas de exibição da MTV (naquele tempo ela era muito legal) e dava uma prévia do que estaria em seu álbum subseqüente, o clássico da época grunge Dirt. O até hoje queridão Pearl Jam meteu duas músicas na trilha. Breath remetia aos tempos do álbum Ten, com aquele metal soft e melódico, soando até um pouco ingênuo se comparado com músicas que eles viriam a fazer no futuro (pensou em Do The Evolution?). É deles também State Of Love And Trust, um clássico entre os fãs da banda que até hoje figura em um ou outro show dos caras, com suas guitarras mais pesadinhas e a empolgação do carismático Ed Vedder.
O vocalista do Soundgarden Chris Cornell aparece com uma inusitada canção solo, uma balada com cara de demo ao violão, mas que acabou tornando-se sua melhor aventura fora do Soundgarden. Quem dera seu álbum solo de 1999 tivesse herdado a mesma inspiração que Seasons apresentou. Paul Westerberg entrega as duas faixas pop do disco, provavelmente encomendadas pelo diretor que precisava de um embalo alegrinho para as desventuras românticas de Matt Dillon e Bridget Fonda.
Os Lovemongers fazem um cover ao vivo de The Battle Of Evermore do Led Zeppelin e assumem o momento baixo do disco. Uma canção dupla do já extinto Mother Love Bone presta tributo ao falecido vocalista Andrew Woods e induz o ouvinte a descobrir o que existia antes do Pearl Jam. Chloe Dancer/Crown Of Thorns é uma bela música ao piano, que constava também em versão editada no álbum Apple.
O peso pega com o Soundgarden e suja de vez com o Mudhoney. O primeiro deixa sua contribuição de neo-Black Sabbath e o segundo carimba o CD com a garageira que transformou o grunge em uma febre. Bem sacada é a inclusão de Jimi Hendrix, natural de Seattle e erroneamente dito “pai” da cena (musicalmente ele não tinha a menor relação com os pupilos, que viriam a ser novamente apadrinhados por Neil Young).
May This Be Love traz um toque psicodélico-retrô. Perto do final, os Screaming Trees colaboram com a melhor música de sua carreira (que seria disponibilizada em seu disco Sweet Oblivion), Nearly Lost You é um hitzão que funciona até os dias de hoje. As guitarras pesadonas e a voz rouca de Mark Lanegan nunca soaram ao mesmo tempo tão perfeitamente rock e tão inspiradas como nessa faixa.
O disco fecha a conta com Drown, dos então emergentes Smashing Pumpkins. A faixa é um clássico, preferida de dez entre dez fãs do quarteto. As guitarras em estilo sinfônico em contraste com as microfonias, o frágil vocal de Billy Corgan, a produção de Butch Vig eternizaram a música. Chave de ouro para uma trilha respeitável.
Enquanto o filme utilizou de alguns esteriótipos e sacadas hollyoodianas para padronizar uma cena para as grandes massas, a trilha por sua vez serviu para oficializar um número de artistas que, naquele momento, recebiam todas as atenções do planeta. Unindo os interesses comerciais da gravadora com o interesse do público, a trilha de “Singles” mostrou ser possível unir música e imagens de forma coerente e com credibilidade.
|FICHA TÉCNICA|
lançamento| 30 de Junho de 1992 produção|Cameron Crowe , Danny Bramson estúdio|Varios duração|64:49 selo|Epic prensagem|Brasil encarte|Não artwork By [Art Direction] | David Coleman , Nancy Donald photography | Steve Nilsson photography [Additional] | Karen Moskowitz
|MÚSICAS|
A1 Alice In Chains - Would? 3:27 Mixed By - Rick Parashar Mixed By, Written-By - Jerry Cantrell Producer - Alice In Chains A2 Pearl Jam - Breath 5:25 Mixed By - Brian Malouf Producer - Pearl Jam , Rick Parashar Written-By - Eddie Vedder , Stone Gossard A3 Chris Cornell - Seasons 5:45 Written-By, Producer, Mixed By - Chris Cornell A4 Paul Westerberg - Dyslexic Heart 4:28 Producer, Mixed By - Scott Litt Producer, Written-By - Paul Westerberg A5 Lovemongers, The - Battle Of Evermore 5:41 Mixed By - Tod Lemkuhl Mixed By, Producer - Brett Eliason , Steve Smith (3) Written-By - Jimmy Page , Robert Plant A6 Mother Love Bone - Chloe Dancer / Crown Of Thorns 8:16 Mixed By - Tim Palmer Producer - Mark Dearnley Producer, Written-By - Mother Love Bone Written-By - Andy Wood* B1 Soundgarden - Birth Ritual 6:05 Mixed By - Ron Saint Germain* Producer - Terry Date Written-By - Chris Cornell , Kim A. Thayil* , Matthew D. Cameron* B2 Pearl Jam - State Of Love And Trust 3:46 Mixed By - Brendan O'Brien Producer - Pearl Jam , Rick Parashar Written-By - Eddie Vedder , Jeff Ament , Mike McCready B3 Mudhoney - Overblown 2:58 Mixed By, Producer - Conrad Uno Mixed By, Written-By - Mudhoney B4 Paul Westerberg - Waiting For Somebody 3:25 Mixed By - Susan Rogers Written-By, Producer - Paul Westerberg B5 Jimi Hendrix - May This Be Love 3:10 Written-By - Jimi Hendrix B6 Screaming Trees - Nearly Lost You 4:06 Mixed By - Andy Wallace Producer - Don Fleming Written-By - Lee Conner* , Mark Lanegan , Van Conner B7 Smashing Pumpkins, The - Drown 8:17 Producer, Mixed By - Butch Vig Producer, Mixed By, Written-By - Billy Corgan
|VÍDEOS|
Alice In Chains - Would? e Paul Westerberg - Waiting For Somebody
Das poucas bandas que apareceram durante o curto periodo que durou a moda shoe-gazing no inicio dos anos 90, My Bloody Valentine é uma das poucas lembradas com carinho. Loveless, lançado em 1991, é quase uma obra prima quase mítica do indie rock.
A banda tinha se esforçado, inicialmente, para livertar-se das comparações com o Jesus and Mary Chains provocadas pelas suas guitarras saturadas de distorção, mas no final da decada tinham encontrado um som unico com seu primeiro album para a creation, "Isn´t Anything", de 1988. Este disco - juntamente com o single "you Made Me Realize" e o EP "Glider" - desvelou uma bruma lânguida e orírica de vozes etéreas soterradas sob um vasto rumor de guitarras distorcidas e samples de tom frequentemente indeterminado. " o som de deuses espirrando em camera lenta" foi como Guness Rockopedia o descreveu. O shoe-gazing tinha nascido.
O My Bloody Valentine tinha passado os três anos seuintes realizando os preparativos para o proximo álbum, ao custo de 250 mil libras[o guitarrista Kevin Shields afirma que foram apenas 140 mil libras]. Realizado com a colaboração de 18 engenheiros de som[embora Shields afirme que é menos sofisticado que um disco do White Stripes], Loveless completou o que agora parecia um esboço primitivo, Isn´t Anything.
Nenhum de seus contemporaneos seguidores do shoe-gazing se atreveria atentar competir com um álbum tão deslumbrante.
*do livro "1001 discos para ouvir antes de morrer".
|FICHA TÉCNICA|
lançamento|04 de Novembro de 1991 produção|Kevin Shields, Colm Ó Cíosóig estúdio|Blackwing Studios in Southwark, London duração|48:36 selo|Plain Recordings prensagem|U.S.A encarte|Sim Artwork By [Coordination] - Ann Marie Shields Artwork By [Cover Idea] - My Bloody Valentine Engineer, Engineer [Assistant] - Adrian Bushby , Alan Moulder , Andy Wilkinson , Anjali Dutt , Charles Steel , Colm O'Ciosoig , Darren Allison , Dick Meaney , Guy Fixsen , Harold Burgon , Hugh Price , Ingo Vauk , Kevin Shields , Nick Addison , Nick Robbins , Nick Savage , Pascale Giovetto , Tony Falter Photography - Angus Cameron Producer, Mixed By - Kevin Shields (tracks: A1, A2, A4 to B5) Songwriter - Kevin Shields (tracks: A5 to B5)
|FORMAÇÃO|
Kevin Shields Bilinda Butcher Debbie Googe Colm Ó Cíosóig
|MÚSICAS|
A1 |Only Shallow 4:17 A2 |Loomer 2:38 A3 |Touched 0:56 A4 |To Here Knows When 5:31 A5 |When You Sleep 4:12 A6 |I Only Said 5:34 B1 |Come In Alone 3:58 B2 |Sometimes 5:19 B3 |Blown A Wish 3:36 B4 |What You Want 5:33 B5 |Soon 6:58