((( VINILGRAFIAS )))

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Interpol - Antics [2004]

























Nova Iorque e os Estados Unidos, num sentido mais generalizado, justificam o surgimento do Interpol: as bandas de indie rock estão revisitando períodos distintos do rock em si. Enquanto a inspiração de The Killers veio do New Order, com vários teclados típicos de Las Vegas, os novaiorquinos trazem temas urbanos, da decadência às histórias mais simples.

“Antics”, em 2004, ao contrário do CD de estréia “Turn On The Bright Lights”, consolida Interpol com músicas mais felizes, apesar das origens obscuras e melancólicas no Joy Division. O contrabaixo de Carlos Dengler marca esse material a partir segunda faixa, “Evil”, que é recheado por uma letra irônica (com referencias à serial killer britânica Rosemary) e uma guitarra que procura acompanhar os graves da canção, sem roubar a atenção.


“Narc”
, a faixa seguinte, dá menos destaque para a participação de Carlos, embora esteja presente e simultânea à de Daniel, na guitarra. O que se evidencia na terceira música é a voz de Paul Banks, que, apesar da semelhança com Ian Curtis, consegue manipular com mais facilidade uma sonoridade mais aguda, tornando seu desempenho extremamente apreciável, acessível.

Sobre amores distantes e sensações inesquecíveis, “Take You On A Cruise” cumpre seu papel como balada e novamente coloca Paul como um vocalista que atende às expectativas do ouvinte, sem fazer muitos apelos. Em oposição a essa música, “Slow Hands” tem uma introdução onde a guitarra semi-acústica de Daniel rouba a cena, com um timbre bem mais encorpado e menos artificial que as guitarras elétricas maciças. Com uma letra sobre abandono, a guitarra soma-se à voz e à bateria de Sam, que se apresenta em sincronia.

A energia de “Slow Hands” segue em “Not Even Jail”. Começando novamente com o contrabaixo em destaque, a guitarra soa mais tímida, de fundo. Uma letra que começa melancólica revela uma banda de músicas esperançosas. Paul Banks não é uma mera continuação de Joy Division ou de suas inspirações: é um vocalista com vitalidade própria, independente e seguro.

“Public Pevert” joga uma letra de materialismo sobre o amor, dialogando com seus paradoxos. Banks soa melódico na maior parte do tempo. “C´mere” (do francês, "esta mãe") fala de um filho que não aceita outro amor da própria mãe, ao som de bicordes na guitarra que lembram “Evil”. No entanto, a principal diferença está na densidade da letra, muito mais simples.

Retomando a assuntos de “Public Pevert”, como o pensamento obsceno, “Lenght of Love”mostra alguém superando essa materialidade paradoxal.



por Pedro Zambarda de Araújo





















Fazendo o caminho inverso, “A Time To Be So Small”, última música, fala da realidade que valoriza homens mecanizados, uma “multidão cavernosa”. A letra, sob uma guitarra melancólica, convoca a resistirmos a esse tipo de sociedade.

Diferente de todas as outras, “Next Exit”, a primeira faixa, abre com um órgão substituindo o contrabaixo e as linhas mais tradicionais de rock´n´roll. Uma pequena guitarra se manifesta enquanto a banda canta sobre a cidade como uma alternativa, tanto como integração ou separação.

Com “Antics”, Interpol mostra que é uma banda acessível. Seus instrumentistas não elaboram sobre muitas notas musicais, nem mesmo sobre temas tão inacessíveis, mas buscam efeitos e combinações que dão uma melodia bem receptível. Ainda soa como a maioria da cena indie rock atual, que peca por pouca variação. Mas as referências ao Joy Division e uma busca por mensagem própria nesse CD são uma boa ação de Banks e seu grupo.



Curiosidade: O significado de “Antics”, do inglês, é "comportamento simulado". Talvez essa seja uma grande ironia no CD, que exalta problemas em casos comuns para esconder muitas frutrações das pessoas em busca de felicidade. Onde a esperança se insere nisso?






((( FICHA TÉCNICA )))

lançamento| 27 de setembro de 2004
produção|Pete Katis
estúdio|Tarquin Studios, Bridgeport (Connecticut)
duração| 41:39
selo| Matador Records
prensagem| USA - Vinyl, LP, 33 1/2 RPM, Audiophile, 180g + MP3
encarte| sim


((( FORMAÇÃO )))

Paul Banks – lead vocals, guitar, lyrics
Daniel Kessler – lead guitar
Carlos Dengler – bass, keyboards
Sam Fogarino – drums, percussion


((( MÚSICAS )))

A1 Next Exit
A2 Evil
A3 Narc
A4 Take You On A Cruise
A5 Slow Hands
B1 Not Even Jail
B2 Public Pervert
B3 C'mere
B4 Length Of Love
B5 A Time To Be So Small










((( SINGLES )))

Interpol - Evil


Interpol - Slow Hands


Interpol - C'mere

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

((( Vinyl News ))) Nirvana - Nevermind: 20th Anniversary Deluxe Edition (Limited Edition 180g 4LP)


O Nirvana pode ter tido apenas sete anos de estrada, mas seu icônico segundo álbum, Nevermind, está completando 20 ano no dia 24 de setembro. Para celebrar a data, a Universal Music prepara um relançamento cheio de material extra.
A Universal revelou detalhes sobre a nova edição de Nevermind, em três versões diferentes. Haverá a edição limitada Super Deluxe, com quatro CDs e um DVD, a edição de luxo expandida, com dois CDs e uma versão somente com o álbum, remasterizado. Os relançamentos também saem em versão digital e em vinil, com quatro LPs.
A edição com dois discos trará o álbum original, remasterizado, acompanhado B-sides de estúdio e ao vivo já lançados. Na lista de gravações inéditas estão as demos das músicas de Nevermind gravadas com o produtor Butch Vig em seu estúdio, no Wisconsin; gravações caseiras dos ensaios das músicas "Smells Like Teen Spirit", "Comes as You Are", e "On a Plain"; e gravações de aparições do Nirvana na BBC Radio, entre 1989 e 1991.
A versão de quatro discos acrescenta uma versão de Nevermind produzida e mixada inteiramente por Vig, apelidada de Devonshire Mixes. A edição final de Nevermind que chegou às lojas em 1991 foi mixada por Andy Wallace, com Vig concentrando-se na produção.
O DVD (com opção em Blu-ray) da edição Super Deluxe trará uma gravação inédita do show de Halloween de 1991, no Paramount Theatre, em Seattle. De acordo com a gravadora, esta é a única filmagem de um show do Nirvana em película e também será lançado separadamente. Também estão incluídos no DVD e Blu-ray os quatro videoclipes de Nevermind. Será lançado ainda um livro de 90 páginas, com fotos raras e documentos.
O Nirvana gravou apenas três álbuns de estúdio, Bleach (1989), Nevermind (1991) e In Utero (1993), e a caixa de 2004 With The Lights Out permanece como a coleção definitiva de raridades, B-sides, demos e outras gravações.
A nova versão de Nevermind chega às lojas em 27 de setembro. Confira a lista de faixas completa da reedição do álbum.
Nirvana Nevermind: 20th Anniversary Deluxe Edition LP Vinyl Track Listing:
LP1 - Original Album
Side A
1. Smells Like Teen Spirit
2. In Bloom
3. Come As You Are
4. Breed
5. Lithium
6. Polly
Side B
1. Territorial Pissings
2. Drain You
3. Lounge Act
4. Stay Away
5. On A Plain
6. Something In The Way

LP2 - B-Sides
Side C
1. Even In His Youth
2. Aneurysm
3. Curmudgeon
4. D-7 live at the BBC
5. Been A Son live
6. School live
Side D - B-Sides & Smart Studio Sessions
1. Drain You live
2. Sliver live
3. Polly live
4. In Bloom previously unreleased
5. Immodium (Breed) previously unreleased
6. Lithium previously unreleased

LP3 - Smart Studio Sessions
Side E
1. Polly previously unreleased mix
2. Pay To Play
3. Here She Comes Now
4. Dive previously unreleased
5. Sappy previously unreleased
Side F - Boombox Rehearsals
1. Smells Like Teen Spirit
2. Verse Chorus Verse previously unreleased
3. Territorial Pissings previously unreleased
4. Lounge Act previously unreleased

LP4 - Boombox Rehearsals
Side G
1. Come As You Are
2. Old Age previously unreleased
3. Something In The Way previously unreleased
4. On A Plain previously unreleased
Side H - BBC Sessions
1. Drain You previously unreleased
2. Something In The Way previously unreleased

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Até uma criança prefere Vinil.



por André Barciski [blog Uma Confraria de Tolos]

Fim de semana passado fiz uma coisa que estava ensaiando há tempos: desencaixotei e montei minha vitrola.

Tenho uma estante de vinis aqui, parados há tempos por pura preguiça e comodismo.

Eu também queria mostrar os discos para minha filha pequena e ver a reação dela aos vinis.

Não vou entrar na velha discussão analógico vs. digital, até porque esse papo já cansou. Todo mundo sabe que vinil soa melhor que CD, que por sua vez soa infinitamente melhor que MP3 (estou lendo “Retromania”, livro novo de Simon Reynolds, em que ele conta que o MP3 foi criado para ser ouvido enquanto se faz outra coisa, no ônibus, na rua, etc. – faço um post sobre o livro quando terminar).

Seria uma experiência interessante: para mim, que cresci ouvindo vinis, seria uma volta proustiana ao passado; para ela, que tem pouco mais de três anos e NUNCA havia visto uma vitrola em ação, seria uma novidade.

Como reagiria uma criança que não tem sequer a lembrança de discos de vinil e, portanto, nenhum tipo de ligação afetiva com o disco? Será que o vinil seria visto como algo menos impactante que, por exemplo, o disquinho pequeno e prateado que ela se acostumou a ouvir?

Fico feliz em dizer que não. O vinil triunfou. Sucesso absoluto.

O que primeiro chamou a atenção dela foi o ato físico de tirar a capa do plástico, tirar o vinil da capa, pousar a bolacha na vitrola, ligar o aparelho, mover o braço, ver o disco rodando e levar o braço até a borda do vinil. Ela ria sozinha. Quando ouviu aqueles ruídos e, por fim, a música, parecia que estava vendo um truque de mágica.

Realmente, comparada à experiência tediosa de enfiar um CD num aparelho e apertar um botão, uma vitrola é uma verdadeira caixa de Pandora. O vinil tem uma qualidade tátil que falta ao digital.

A outra coisa que mais parece tê-la emocionado foi ver as capas, abrir os encartes, enfim, descobrir que, para cada música, havia uma imagem correspondente.

Passamos horas ouvindo discos, trocando lados de bolachas (outra coisa que ela adorou!) e vendo capas.

Fiquei pensando em quanto tempo fazia que eu não deitava no chão da sala para ouvir música.

A música, cada vez mais, tem se tornado trilha sonora de nosso dia a dia. Ouvimos música para ler, para comer, para uma série de coisas, mas ela está sempre lá como pano de fundo, raramente como protagonista. A praticidade e comodidade estão nos deixando cada vez mais preguiçosos.

Temos 20 mil faixas no Ipod, mas ouvimos cada vez menos música. Uma pena.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sugar - Cooper Blue [1992]
























"Não espero que o Nirvana abra caminho para o Sugar...Travo minha própria batalha" - Bob Mould, 1992.

Quando o pioneiro do grunge Hüsker Dü implodiu, o guitarrista e vocalista Bob Mould gravou álbuns solos recheados de violoncelos e ressentimentos. Quando lhe pareceu que ninguem estava prestando atenção, quebrou o contrato com sua gravadora e com os musicos e foi vagar pela terra sozinho. Mais tarde recrutou o baixista David Barbe e o baterista Malcolm Travis e gravou um dos melhores álbuns de toda a decada de 90.


As furiosas guitarras fender de Mould, sua voz potente e as letras azedas permaneceram, mas as músicas eram diferentes, animadas, e , em comparação com a produção pré-histórica do Hüsker Dü, soavem como avalanches.

Os classicos explodiram quase sem espaço entre eles. No primeiro de diversos ápices, um pastiche do Pixies"A Good Idea", se choca contra "Changes" ( o momento mais próximo do Hüsker Dü do disco). Depois surge o o que Mould eventualmente iria descrever como tributos a George Martin "Hover Dam" e aos Beatles "If I Can´t Change Your Mind", culminando com a cinematica "Slick""Devereiam ter usado a música na série Beverly Hills 90210, quando Luke Perry finalmente bate com o carro", declarou Mould.


O ábum Cooper Blue foi especialmente bem recebido na Inglaterra, onde o Sugar tinha contrato com o selo Creation. Mould admirava imensamente seus ruidosos colegas de selo do My Bloody Valentine, mas, por outro lado, estava cheoi de perguntas sobre o Nirvana, um dos grupos para os quais Mould acabou servindo como fonte de inspiração. Anos depois insistia em dizer " Detesto rock alternativo". Felizmente ja tinha deixado esta obra prima.

"Não há razão para não se gostar do álbum" - afirmou ele a Record Collector. "É uma fantastica coleção de melodias e músicas". Amém.


do livro "1001 discos para para ouvir antes de morrer"


((( FICHA TÉCNICA )))

lançamento| 04 de setembro de 1992
produção|Bob Mould, Lou Giordano
estúdio|?
duração| 44:58
selo| Creation Records
prensagem| UK
encarte| sim


((( FORMAÇÃO )))

Bass – David Barbe
Drums, Percussion – Malcolm Travis
Guitar, Vocals, Keyboards, Percussion – Bob Mould

((( CRÉDITOS )))

Engineer – Bob Mould, Lou Giordano
Mastered By – Howie Weinberg
Mixed By [Assistant] – Tom Bender



((( MÚSICAS )))

A1 The Act We Act 5:10
A2 A Good Idea 3:47
A3 Changes 5:01
A4 Helpless 3:05
A5 Hoover Dam 5:27
B1 The Slim 5:14
B2 If I Can't Change Your Mind 3:18
B3 Fortune Teller 4:27
B4 Slick 4:59
B5 Man On The Moon 4:32

((( SINGLES )))

If I Can't Change Your Mind

Helpless

Changes


Related Posts with Thumbnails