((( VINILGRAFIAS )))

domingo, 12 de junho de 2011

Alice In Chains - Facelift [1990]
























O Alice in Chains é o exemplo da banda certa no lugar errado. Acaso, destino... Seja como for, eles tiveram a sorte (ou azar) de estar em Seatlle quando o Nirvana e a trupe grunge tiveram todos os holofotes voltados para eles. E acabaram, é claro, sendo taxados de grunges. Fato que talvez não seja todo verdadeiro, pois além das influências vindas do Heavy Metal e do Hard Rock, o Alice in Chains possui um som muito particular. E sabe como é, nem todo mundo que tocava em Seatlle era grunge, assim como nem todo metaleiro é insensível.

Olhando Facelift - primeiro disco da banda - hoje, depois de mais de dez anos de seu lançamento, fica clara que as influências do heavy metal do Black Sabbath e do hard-rock são muito mais acentuadas do que enxergamos em "Bleach", do Nirvana, por exemplo. Logo, é difícil classificar a banda como sendo grunge, principalmente depois de acompanhar bandas como Megadeath, Van Halen, Slayer e Anthrax em algumas turnês. Entretanto, logo após a estréia do clipe de "Man in the box" na MTV em meio a febre grunge, e a gravação de "SAP" - um EP com quase todas as faixas acústicas e com participações de Chris Cornell (Soundgarden) e Mark Arm (Mudhoney) - a banda se enquadrou, historicamente, entre o movimento que marcou a música no início dos anos noventa.

O ponto é que, mesmo com esse enquadramento, ao ouvir Facelift temos a impressão inegável de que sim, talvez exista alguma coisa grunge ali, mas, definitivamente, os rumos musicais do Alice in Chains são outros. Logo na primeira faixa do disco "We Die Young" vemos Tony Iommi por detrás do riff de Jerry Cantrell, além dos vocais marcantes de Layne Staley, características essas que permeiam todo o trabalho do grupo; na seqüência está a falada "Man in the Box", riff mais do que conhecido por quem ouvia rock pelos idos anos noventa, e talvez a música mais inclassificável da época: não é pesada o suficiente para ser considerada heavy metal, em contrapartida, pesada demais para colocá-la ao lado de outras canções marcantes do grunge. Esse talvez seja o ponto mais marcante do Alice in Chains, é extremamente complicado definir o som deles.

Outra característica forte de Facelift são as baladas que, no mínimo, fazem com que um arrepio suba coluna acima. Entre essas estão, "Bleed to Freak""I can't remember""Confusion" "Love, hate, love", onde arranjos lentos e pesados fazem a cama para letras como "You told me I'm the only one/Sweet little angel you should have run/Lying, crying, dying to leave/Innocence creates my hell"("Love, hate, love"), ou "These stand for me/Name your god and bleed the freak/I like to see/How you all would bleed for me"("Bleed to Freak"). Isso sem mencionar os vocais de Staley que dão às músicas o complemento exato para a criação dessa atmosfera sombria.

E ainda há faixas improváveis como "I know somethin" (Bout you), que não seria exagero dizer que é possível encontrar alguma coisa de Red Hot Chilli Peppers por ali, ou "Put you down" que foge um pouco ao estilo visto nas primeiras faixas do disco.

Ou seja, de uma maneira geral, Facelift é um disco essencial para quem gosta de música. Quase tudo que seria visto nos próximos trabalhos do Alice in Chains - "Dirt" (1992) e "Alice in Chains" (1995) - estão lá, talvez de maneira pouco desenvolvida, mas inegavelmente estão lá. E só para lembrar, depois de "Alice in Chains" de 1995, a banda lançou "Alice in Chains - Unplugged Mtv" em 1996, "Nothing safe" (coletânea) em 1999, "Live" em 2000 e "Alice in Chains - Greatest Hits" em 2001. A banda terminou oficialmente em 2002, com a morte do vocalista Layne Staley devido a uma overdose.

Por Maurício de Almeida (Maquinário)
















((( FICHA TÉCNICA )))

lançamento| 21 de agosto de 1990
produção|Dave Jerden
estúdio|London Bridge Studio, Seattle & Capitol Recording Studio, Hollywood
duração| 54:15
selo|Columbia
prensagem| Brasil
encarte| Sim

((( CRÉDITOS )))

Alice in Chains

Layne Staley – lead vocals
Jerry Cantrell – guitar, backing vocals, talkbox on "Man in the Box"
Mike Starr – bass, backing vocals on "Confusion"
Sean Kinney – drums, percussion, additional backing vocals, piano on "Sea of Sorrow"

Additional personnel

Kevin Shuss - Additional backing vocals

Production and management

Produced, recorded, and mixed by Dave Jerden
Additional engineering by Ron Champagne
Assistant engineering by Leslie Ann Jones
Assistant mix engineering by Bob Lacivita
Mastered by Eddy Schreyer
Management – Kelly Curtis, Susan Silver
A&R – Nick Terzo
Product manager – Peter Fletcher







((( MÚSICAS )))

A1 We Die Young 2:32
A2 Man In The Box 4:46
A3 Sea Of Sorrow 5:49
A4 Bleed The Freak 4:01
A5 I Can't Remember 3:42
A6 Love, Hate, Love 6:27
B1 It Ain't Like That 4:37
B2 Sunshine 4:44
B3 Put You Down 3:16
B4 Confusion
Backing Vocals – Michael Starr 5:44
B5 I Know Somethin (Bout You) 4:21
B6 Real Thing 4:03

((( SINGLES )))

"We Die Young"
Released: July 1990


"Man in the Box"
Released: 1991


"Bleed the Freak"
Released: 1991


"Sea of Sorrow"
Released: 1992

sábado, 4 de junho de 2011

Dinosaur Jr - Farm [2009]





























((( RESENHA )))

Por Lizandra Pronin [Redação TDM]

Com ou sem duplicação nas camadas de som, “Farm” soa barulhento e distorcido. É que o novo disco do Dinosaur Jr chegou às lojas européias com problemas de áudio produzidos por uma falha na mixagem.

Pelo inconveniente, a banda pediu desculpas e ofereceu um ‘ringtone’ para quem quiser efetuar a troca. Corre o risco dos álbuns defeituosos virarem item de colecionador.


Formada em 1984, a banda passou por um período inativo nos anos 90 mas desde 2005, quando os primeiros álbuns da banda foram relançados, o trio J Mascis, Lou Barlow e Murph se reuniu para shows. Dois anos mais tarde um álbum inédito chega ao mercado: “Beyond”. A crítica e os fãs aprovaram. Agora, o nono álbum da discografia da banda, “Farm”, dá seqüência a essa grande volta.

“Farm” traz a sonoridade alternativa e grunge que influenciou tantas bandas no início dos anos 90 - com guitarras sujas, uma coisa meio punk, mas que faz referência direta ao chamado classic rock.


Mesmo sendo incontestavelmente um álbum de rock, há uma veia pop que torna as canções palatáveis a diversos gostos: as melodias de “Farm” ficam na cabeça. É o caso de “Over It”, com seu refrão cantarolável e guitarras vibrantes durante seus quase 4 minutos.

Das 12 canções que compõem o repertório, todas merecem ser citadas, pois “Farm” é bom do começo ao fim, sem faixas para pular ou momentos dispensáveis. Os solos de “Friends” e “Said The People”, o clima denso em “Imagination Blind”, assim como o ritmo pulsante de “Pieces” e “There’s No Here”, produzem em qualquer amante de rock um sentimento de pertença, como uma prova de que o estilo se mantém vivo. Bem vivo.























((( FICHA TÉCNICA )))

lançamento| 23 de Junho de 2009
produção|J Mascis
estúdio|Bisquiteen Studio, Amherst, Massachusetts
duração| 61:05
selo| Jagjaguwar
prensagem| USA
encarte| Gatefold

((( CRÉDITOS )))

Artwork [Album Art By] – Marq Spusta
Engineer – Justin Pizzoferrato
Engineer, Mixed By – John Agnello
Management – Brian Schwartz
Mastered By – Greg Calbi
Producer – J Mascis
Written-By – J Mascis (tracks: A1 to B1, B3 to D2), Lou Barlow (tracks: B2, D3)









((( MÚSICAS )))

A1| Pieces 4:32
A2| I Want You To Know 4:30
A3| Ocean In The Way 4:20
B1| Plans 6:42
B2| Your Weather 3:06
B3| Over It 3:47
C1| Friends 4:32
C2| Said The People 7:42
C3| There's No Here 3:39
D1| See You 5:48
D2| I Don't Wanna Go There 8:43
D3| Imagination Blind 3:22










((( SINGLES )))

"Over It"

sábado, 30 de abril de 2011

Smashing Pumpkins - Pisces Iscariot [1994]



Sem sobra de dúvida, o Smashing Pumpkins foi uma das principais bandas dos anos 90. Agora, também não há dúvida de que o Pumpkins foi uma das bandas mais prolíficas da última década. Billy Corgan é um sujeito que compõe com uma facilidade espantosa, para ele o ato de escrever uma canção é quase tão corriqueiro quanto regar as plantas ou escovar os dentes.
O resultado disso é que mesmo tendo lançado seis álbuns (dois deles duplos!) em uma carreira de dez anos, o Pumpkins acumulou toneladas de faixas inéditas nesse meio tempo. Para cada disco lançado, a banda tinha praticamente um segundo somente com músicas que sobravam. Esse material aparecia de alguma forma. Em 2002, aproveitando o lançamento de uma coletânea dos hits da banda, um CD com músicas e gravações inéditas foi incluído como bônus no álbum. Durante 1995 e 1996, os singles do álbum Mellon Collie And The Infinite Sadness também traziam várias faixas inéditas. Acabaram reunidos numa box set que tinha no total mais de duas dezenas de canções. Mas, dentre todas as coletâneas de material raro e inédito dos Pumpkins, nenhuma jamais teve e jamais terá a importância e o impacto de Pisces Iscariot, de 1994.



Dois entre tantos motivos fazem de Pisces Iscariot um disco especial. O primeiro, e mais óbvio, é pelas músicas, que são tão boas quanto qualquer uma que efetivamente entrou num álbum oficial da banda. Mas outro motivo é que o Smashing Pumpkins nunca foi tão Smashing Pumpkins quanto em Pisces Iscariot. Explicando: o Pumpkins sempre foi uma banda ousada, que esteve sempre pronta para se reinventar e experimentar novos caminhos a qualquer custo. O resultado é que seus discos são completamente diferentes do outro, do primeiro ao último, cada um aponta para um lado. Já em Pisces Iscariot a banda aparece desprovida de qualquer conceito. Eles não estavam efetivamente buscando nenhum caminho específico, tampouco se distanciando de si mesmos. Eles estavam simplesmente sendo o Smashing Pumpkins. Diverso, vibrante, único, especial.
O disco abre acústico na delicadeza de Soothe, apenas na voz e violão de Corgan. Na seqüência, a explosiva Frail And Bedazzled ataca vigorosa com uma pegada de guitarra e bateria contagiante. Plume tem um andamento mais lenta e pega pesado nas distorções, é uma melodia bem delicada com um acompanhamento de peso. Whir é tão pura e delicada que chega a ser comovente, é o Pumpkins atacando no acústico de novo, desta vez com baixo e bateria acompanhando os violões e até uma guitarra aparece para fazer suas firulinhas. Arranjo impecável, melodia maravilhosa, mais um grande momento.



Blew Away
 é a contribuição do guitarrista James Iha no disco. Até então, é a primeira música que NÃO foi escrita por Billy Corgan a aparecer em disco na carreira do Smashing Pumpkins. Billy cita o fato no encarte: “foi a primeira música que eu não meti o nariz, e estou orgulhoso disso…”. É mais uma bela canção, naquele estilo que viria a marcar todas as demais composições do James que ainda iriam aparecer nos próximos discos e no seu trabalho solo. O vocal delicado e até, certo ponto, distante e etéreo do guitarrista acompanhado por um arranjo magistral. Um dos destaques no arranjo é o solo destruidor do próprio James, quase no final da música, para fechar com chave de ouro.
Em seguida temos uma seqüência de peso: Pissant e Hello Kitty KatPissant talvez seja a mais agressiva do disco, tem um andamento rápido e propício para não ficar parado. Não estranhe caso você se pegue batendo cabeça involuntariamente. Já Hello Kitty Kat é particularmente maravilhosa, aquela combinação perfeita da pegada da guitarra e da bateria. Billy diz no encarte: “essa música era para ter entrado no disco [Siamese Dream], mas os fantasmas do Gish disseram não não não…”. Realmente Hello Kitty Kat, como praticamente todas aqui, não merece o rótulo “b-side” ou “sobra de estúdio”. Mas é isso que faz de Pisces Iscariot um disco tão bem realizado e consistente.



Depois do peso vem mais delicadeza nas acústicas Obscured e Landslide. É possível que, se o Pumpkins reunisse as canções acústicas de Siamese Dream e as de Pisces Iscariot para um disco inteiramente acústico, seria um dos melhores de todos os tempos. Obscured tem um belo refrão enquanto Landslide emociona com facilidade. Na verdade Landslide é um cover do Fleetwood Mac, banda de muito sucesso nos anos 70, mas Billy Corgan se apropriou tão bem da música que efetivamente não soa como um cover é definitivamente uma das mais belas canções desse disco.
Starla. Antes de falar da música em si tem a historinha que todo fã do Smashing Pumpkins já ouviu. Billy conheceu uma garota e perguntou seu nome. “Starla”. E ele: “uau, que nome para uma música!!!”. Dois anos depois acontece de encontrar a mesma garota numa festa e Billy: “e aí, ouviu a música com seu nome?”, e a garota: “meu nome não é Starla, é Darla…”. Enfim, Starla é calma e reflexiva. A música, não a Darla. O arranjo é delicado, mas as guitarras ganham peso e até psicodelia no final, que chega depois de mais de 10 minutos de viagem.
Blue é bem típica do Smashing Pumpkins de então, onde o que mais chama a atenção é aquela “paradinha” espetacular quando Billy canta ‘for you, Blue’Girl Named Sandoz é um cover da música gravada originalmente pelo Animals lá nos anos 60. Mais uma vez, a interpretação é bem Pumpkins, e, se a pessoa não ler no encarte que o compositor não é Billy Corgan, não daria para desconfiar. Girl Named Sandoz foi gravada ao vivo no estúdio da BBC durante o famoso programa John Peel Sessions, e a sonoridade um pouco mais suja da música é em decorrência disso.



La Dolly Vita é mais uma que traz ecos do álbum Gish, a linha melódica do baixo e da guitarra é bem familiar e característica do disco de estréia da banda. Spaced encerra o disco de uma maneira bem peculiar. Uma melodia relaxante misturada a murmúrios com efeitos distorcidos põe fim a um disco impecável.
Claro que não se está querendo dizer que Pisces Iscariot é o melhor disco do Smashing Pumpkins. Com certeza a ousadia do Pumpkins o levou a chegar muito mais longe em seus álbuns oficiais do que atinge o que deveria ser uma mera coletânea de b-sides e sobras de estúdio. Mas o fato é que Pisces Iscariot vale muito a pena ser descoberto.



Por Alexnadre Luzardo [site dying days]













|FICHA TÉCNICA|
lançamento| 4 de Outubro de 1994
produção| Kerry Brown, Billy Corgan, Ted de Bono, Dale "Buffin" Griffin, James Iha, and Butch Vig
duração| 57:26
selo| Caroline Records, Virgin Records America.
prensagem| USA Repress
encarte| Sim
|CRÉDITOS|
Artwork By [Packaging], Photography [Photographing] – Billy Corgan, Michael Meister
Design [Assisting] – Rachel Gutek
Management – Andy Gershon, Raymond Goffer
Other [A&p] – Mark Williams
Producer – Billy Corgan (tracks: A1 to A4, A6 to A8, B2, B3, B5, B6), Butch Vig (tracks: A2, A4, A6 to A8, B2, B3, B5, B6), Dale Griffin (tracks: B4), James Iha (tracks: A5), Kerry Brown (tracks: A3, A5, B2), Ted De Bono (tracks: B1)
Written-By – Billy Corgan (tracks: A1 to A4, A6 to A8, B2, B3, B5, B6), Eric Burdon (tracks: B4), James Iha (tracks: A3, A5), John Weider (tracks: B4), Stevie Nicks (tracks: B1)


|MÚSICAS|
A01 | Soothe [B-side of "Disarm"]Written-By – Billy Corgan 2:36
A02 | Frail And Bedazzled [Siamese Dream outtake]
Written-By – Billy Corgan 3:17
A03 | Plume [B-side of "I Am One" 1992 single release]
Written-By – Billy Corgan, James Iha 3:37
A04 | Whir [Siamese Dream outtake]
Written-By – Billy Corgan 4:10
A05 | Blew Away [B-side of "Disarm"]
Written-By – James Iha 3:32
A06 | Pissant [B-side of "Cherub Rock"]
Written-By – Billy Corgan 2:31
A07 | Hello Kitty Kat [B-side of "Today"]
Written-By – Billy Corgan 4:32
A08 | Obscured [Gish outtake, B-side of "Today"]
Written-By – Billy Corgan 5:22
B01 | Landslide [Stevie Nicks, Fleetwood Mac cover, B-side of "Disarm"]
Written-By – Stevie Nicks 3:10
B02 | Starla [B-side of "I Am One" 1992 single release]
Written-By – Billy Corgan 11:01
B03 | Blue [released on Lull EP]
Written-By – Billy Corgan 3:19
B04 | Girl Named Sandoz [Eric Burdon, John Weider, The Animals cover, released on Peel Sessions EP]
Written-By – Eric Burdon, John Weider 3:34
B05 | La Dolly Vita [B-side of "Tristessa"]
Written-By – Billy Corgan 4:16
B06 | Spaced [Siamese Dream outtake]
Written-By – Billy Corgan 2:24
Related Posts with Thumbnails