((( VINILGRAFIAS )))

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Radiohead - Ok Computer [1997]


No verão europeu de 1997 o Radiohead lança o álbum que muda os rumos da música, vindo do bem sucedido “The Bends” a banda inglesa se isolou e produziu por conta própria um álbum que revoluciona com prazer a se ouvir, pois não se trata de experimentalismos baratos que não se aplicam em profusão em massa e sim de música pop de alta qualidade que faz quem ouve parar pra refletir. Para entender o momento em que foi lançado o “OK Computer” vamos à alguns acontecimentos.
  • Após o “Be Here Now” o Oasis começa desgastar sua imagem junto ao público e crítica;
  • O Blur obtém grande sucesso nos EUA com “Song 2″;
  • O Supergrass lança seu segundo álbum, “In It for the Money”, e consegue boa recepção de público e crítica;
  • O The Verve que já havia se aproximado do BritPop em seu segundo álbum, “A Northern Soul”, com músicas como “History” prepara o “Urban Hymns”, o último grande álbum do BritPop.
  • O Ocean Color Scene prepara o seu terceiro álbum, “Marchin Already”;
  • As boybands dominam as paradas pops e as Spice Girls são a força britânica neste “movimento”;
  • O combalido grunge ainda sobrevive com o Pearl Jam e o Silverchair, além do Foo Fighters.
“OK Computer” aparece num momento de transição no rock mundial com algumas bandas grandes dando seus últimos suspiros e poucas novidades aparecendo. Este álbum caiu como uma luva no cenário desenhado (considero isso uma virtude dos grandes álbuns, eles geralmente se encaixam de forma perfeita as necessidades do momento). O álbum foi unanimamente bem recebido pela crítica, foi consenso entre os críticos que o terceiro álbum do Radiohead era um álbum especial, que era um marco na história da música e, certamente, eles estavam certos.
O álbum começa com as batidas eletrônicas de “Airbag”, sua linha de baixo que parece falhar durante a música, esta canção fala sobre o perigo de viajar de automóveis e foi inspirada no em artigo sobre o uso de airbags. Na sequência vem “Paranoid Android”, música dividida em partes como as músicas que à inspiraram (“Happiness is a Warm Gun” do The Beatles e “Bohemian Rhapsody” do Queen), com uma atuação vocal perfeita de Tom Yorke, uma dinâmica musical muito interessante e guitarras usadas de forma não convencional.


Numa referência clara a “Subterranean Homesick Blues” de Bob Dylan e com teclados criando um clima de filmes de ficção científica, Subterranean Homesick Alien” é uma narrativa que conta o mundo visto por uma pessoa abduzida por alienígenas. As influências cinematográficas continuam em “Exit Music (For A Film)”, a letras desta música foi inspirada na adaptação feita para o cinema de “Romeo e Julieta” de 1968, com sua linha de baixo em destaque e todo o ambiente sonoro criado pelos efeitos que rodeiam a música.
A quinta música é “Let Down” com sua guitarra arpegeada, falando sobre acasalamento de insetos e relacionando isto com o sentimento de transitar sem rumo. Inicialmente como uma piada interna usada quando alguém fazia algo errado, “the karma police” foi externalizarada em “Karma Police” com uma bela introdução, citação de “Sexy Sadie” do The Beatles e apontamento de casos em que se aplica a expressão. Descrita por Yorke como um checklist de slogans dos anos 90, “Fitter Happier” se trata de uma colagem feita gravando o som da leitura deste checklist feita pelo programa Macintosh SimpleText.


Após verificar o Checklist as distorção de “Electioneering” trás um pouco de rock como em “Pablo Honey” ao “OK Computer”, um pouco de convencionalismo ao não convencional. Os “mostros do armário” e serial killers fazem parte temática de “Climbing Up The Walls”, a música é ambientada com sons parecidos com os emitidos por insetos e uma bateria metalizada. Numa tentativa de recriar o ambiente de “What a Wonderful World” de Louis Armstrong, “No Surprises” é cheia de detalhes sutis, a música fala sobre uma vida vazia e em desacordo com a ordem social e política vigente.
“Lucky”, que tem como tema a história de um homem que sobrevive a um acidente de avião e se torna um super-herói, foi lançada inicialmente na coletânea “The Help Album” da organização “War Child” e se encaixou perfeitamente no “OK Computer”. Contrapondo toda a correria e barulho que circulam a vida e o álbum, “The Tourist” acabada sendo o final perfeito e reflexivo do álbum, a música é levada num andamento lento, cheio de períodos de silêncio e a mensagem clara, conclusiva e definitiva do álbum: “Hey man, slow down! Idiot, slow down!”

“OK Computer” é um álbum que continua atual até hoje, os problemas que haviam em 1997 parecem não  ter sido resolvidos e fotografia de época tirada pelo Radiohead continua atual, o álbum te leva a pensar sobre a correria que é viver em grandes cidades com muito ruído, pessoas e poluição; sobre a falta de representatividade junto a população de políticos eleitos democraticamente; sobre a falta de perspectiva de um futuro um pouco mais digno. O Radiohead se firmou, se libertou de “The Bends” e “Pablo Honey” em “OK Computer” e hoje é livre para fazer o tipo de música que quiser. As influências deste álbum estão dispersas por todos os cantos, nos detalhes, nos ruídos, no nível de produção.


por blog istoemusica
























|FICHA TÉCNICA|

lançamento| 16 de Junho de 1997
produção| Nigel Godrich, Radiohead
estúdio| (Canned Applause, Didcot, Oxfordshire, England) July 1996
(St Catherine's Court, Bath, Somerset, England) September 1996 – March 1997
duração| 53:27
selo|Parlophone, Capitol
prensagem| EUA
encarte| Gatefold
|CRÉDITOS|
Arranged By [Strings] - Radiohead
Artwork By - Matt Bale , Mr. Barry , Stanley Donwood & The White Chocolate Factory
Conductor - Nick Ingman
Featuring [Studio Assistant] - Chris Scard , Gerard Navarro , Jon Bailey
Mastered By - Chris 'King Fader' Blair*
Mixed By - Nigel Godrich
Recorded By - Nigel Godrich , Radiohead
Songwriter - Colin Greenwood , Ed O'Brien , Jonny Greenwood , Phil Selway , Thom Yorke




|MÚSICAS|
eeny
A1 Airbag 4:44
A2 Paranoid Android 6:23
A3 Subterranean Homesick Alien 4:27
meeny
B1 Exit Music (For A Film) 4:24
B2 Let Down 4:59
B3 Karma Police 4:21
miney
C1 Fitter Happier 1:57
C2 Electioneering 3:50
C3 Climbing Up The Walls 4:45
C4 No Surprises 3:48
mo
D1 Lucky 4:19
D2 The Tourist 5:24

|SINGLES|
1. "Paranoid Android"
Released: May 1997
2. "Karma Police"
Released: August 1997
3. "No Surprises"
Released: January 1998







|VÍDEOS|

Paranoid Android | Karma Police | No Surprises





sábado, 11 de dezembro de 2010

Smashing Pumpkins - Mellon Collie and The Infinite Sadness [1995]


"Mellon Collie and the Infinite Sadness", o terceiro álbum do Smashing Pumpkins, começa com uma canção triste e melancólica, levada a cabo por um piano solene. Uma introdução encantadora, que logo em suas primeiras notas prende a atenção do ouvinte e o faz ingressar em um mundo fantasioso pincelado em tons verde escuro e todo permeado pela figura solitária que ilustra a capa do álbum. Um mundo onde os desenhos do encarte (que parecem ter saído de livros infantis) são reais e sentimentos díspares entre si são ligados por canções envolventes, delicadas, e até furiosas. "Mellon Collie and the Infinite Sadness", nesse sentido, é mais do que um álbum de rock alternativo: é uma obra-prima variada e única, concebida meticulosamente pelo líder absoluto do conjunto, Billy Corgan. Não apenas um amontoado de músicas dispostas em qualquer ordem, mas sim um conjunto de pérolas que versam sobre sentimentos, aflições, desejos, e outras intimidades raramente expostas com tamanha sinceridade e poesia... com uma harmonia mágica ligando o sonho e a realidade, a alegria e a tristeza, a esperança e a melancolia.
É muito difícil analisar as canções propriamente ditas sem levar em conta esse sentido abstrato que se desenvolve à medida que as músicas são executadas. Mesmo assim, apenas musicalmente falando, os adjetivos usados para descrever "Mellon Collie and the Infinite Sadness" são os mais variados possíveis, uma vez que ao longo das 30 faixas contidas nos três discos, a banda se aventura com desenvoltura pelos mais variados estilos e nos mostra suas ecléticas influências. Passagens orquestradas, riffs beirando o metal, influências eletrônicas, momentos introspectivos, harcore adolescente, instrumentos exóticos, algumas doses de psicodelia e até canções de ninar são alguns dos ingredientes que Billy Corgan usa para emocionar quem ouve sua música. Algumas poucas faixas têm impacto imediato, mas a grande maioria têm que ser compreendida aos poucos, principalmente aquelas que possuem harmonias insólitas ou elementos eletrônicos (recurso que a banda soube usar com parcimônia, como na primorosa "Love"). É de se esperar que todo essa variação de estilos e influências inicialmente pareça muito indigesta e demasiadamente presunçosa. O próprio Billy Corgan sabia que estava correndo o sério risco de ser taxado como um dos músicos mais pretenciosos da história do rock ao gravar um trabalho tão diverso e de longa duração, ainda mais em uma época em que o disco duplo é um formato praticamente abandonado pela indústria fonográfica. Mas é um álbum que merece várias audições, até que se comece a entender sua unidade e valor como obra artística. E como toda obra artística, uma análise puramente técnica se torna superficial e injusta.

Liricamente, encontramos novamente muito talento. Billy Corgan se dedica desde o primeiro disco do Smashing Pumpkins a escrever músicas que falam, de acordo com o ele próprio, "about life": a infância/adolescência que passou e não volta mais (na nostálgica "1979"), indagações quanto à razão de ser e existir (na excepcional "Muzzle") e amor ingênuo e puro ("Lily" e "Beatiful"). E nas baladas, Corgan é de uma sensibilidade rara: além das já citadas "Lily" e "Beatiful", temos "By Starlight""Thirty-Three""To Forgive""Galapogos""In the Arms of Sleep" e "Stumbleine", canções com letras doces entrelaçadas em acordes cativantes. Destaque para a última, um pequeno show protagonizado por voz e violão: simplicidade e beleza caminhando lado a lado, de mãos dadas.

Mas não são apenas as canções intimistas que emocionam: aquelas que transpiram raiva e são vociferadas rasgadamente também se destacam, como "Tales of a Scorched Earth""An Ode to No One" e "Bullet with Butterfly Wings". Temos ainda angústia e desespero na forma de riffs distorcidos, como nas não menos pesadas "X.Y.U.""Here is no Why" e "Jellybelly", bem como melodias portentosas e muito feeling em "Where Boys Fear to Tread""Porcelina of the Vast Oceans" e "Thru the Eyes of Ruby". Todas essas são marcadas pelas guitarras pesadas e contundentes (ponto para James Iha e para o próprio Billy Corgan), que explodem nos tímpanos do ouvinte na mesma intensidade que os dedilhados de violão das canções lentas tocam o coração. Experimentalismo e psicodelia também tem espaço: em "Cupid the Locke" e "We Only Come Out at Night", o Pumpkins brinca com sonoridades inusitadas, e acerta em cheio ao criar canções cativantes e ousadas. Por fim, podemos destacar a pesadíssima "Bodies" (instrumental devastador, criando um clima denso e nervoso), a delicada "Take Me Down" (escrita e cantada por James Iha) e a inesquecível "Tonight, Tonight", que possui uma orquestra fazendo base para Billy Corgan cantar versos de esperança. "We'll make things right, we'll feel it all tonight / The indescribable moments of your life tonight / The impossible is possible tonight / Believe in me and I believe in you, tonight", promete ele.


Muitos críticos acabaram efetivamente acusando o Smashing Pumpkins de pretencioso demais, ao mesmo tempo que diziam que Billy Corgan não sabia o que queria, atirando então para todos os lados. Mas não há como negar que há sim muita inspiração, talento e criatividade ao longo das quase duas horas de música que ouvimos nesse álbum. Corgan, ao lado de uma banda tecnicamente competente e que soube acompanhar em perfeita sintonia o lirismo de seu líder, gravou um trabalho com um objetivo inegavelmente ambicioso nos dias de hoje, que é ir além da "música para ouvir". Sua obsessão o levou a dizer que esse disco encerraria o Smashing Pumpkins como todos os conheciam, e que a missão da banda estaria cumprida. É sem dúvida alguma uma obra emblemática e difícil, e que talvez só seja compreendida e admirada em toda sua profundidade se o ouvinte partilhar das dúvidas existenciais que Billy Corgan deixa transparecer em versos como "And nobody nowhere understand anything / About me / And all my dreams / Lost at sea". Mas mesmo que não haja tal identificação entre o ouvinte e a atmosfera criada, "Mellon Collie and the Infinite Sadness" se revela aos poucos um trabalho, no mínimo, sincero e intenso. Pode não ser um marco na história da música (apesar do título de "disco duplo mais vendido de todos os tempos" ser bem significativo), mas é tocante e apaixonante, o que por si só já o faz especial. Pretencioso ou não, é uma ode à vida, uma ode ao viver com o coração, afinal, "Destroy the mind / Destroy the body / But you cannot destroy the heart".
Assim como o começo, o final de "Mellon Collie and the Infinite Sadness" é não menos peculiar e emotivo. Os quatro integrantes da banda cantam juntos uma singela despedida para todos aqueles que embarcaram com o coração aberto nessa viagem musical, desejando-os "Goodnight, to every little hour that you sleep tite / May it hold you through the winter of a long night / And keep you from the loneliness of yourself". E, em um enigmático paralelo com a primeira faixa, um piano cadenciado se torna solo ao fim da canção... ressonando novas notas tristes e melancólicas.


Por Fabrício Boppré do site [dyingdays.net]




















FICHA TÉCNICA

lançamento 24 de Outubro de 1995
produção Alan Moulder, Billy Corgan, Flood
estúdio March–August 1995 at Pumpkinland, Sadlands, Bugg Studios, Chicago Recording Company; The Village Recorder
duração 121:50
selo Virin Records
prensagem UK
encarte Gatefold













FORMAÇÃOJimmy Chamberlin – drums, vocals on "Farewell and Goodnight"
Billy Corgan – lead vocals, guitar, piano, production, mixing, string arrangement on "Tonight, Tonight", art direction and design
James Iha – guitar; vocals, mixing, and additional production on "Take Me Down" and "Farewell and Goodnight"
D'arcy Wretzky – bass guitar, vocals on "Beautiful" and "Farewell and Goodnight"
1. "Stumbleine"
F2. "Lily (My One and Only)"
F3. "Tonite Reprise"
F4. "Farewell and Goodnight"
F5. "Infinite Sadness"


Vinil Triplo


Versão em Cassete Tape







Vinil + Cd Duplo


Vinil + Box Singles The Aeroplane Flies High



Vinil + Cd + Cassete Tape


VÍDEOS
"Tonight, Tonight" "Thirty-Three" "Bullet with Butterfly Wings" "1979" "Zero"










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